"Eu só confio nas pessoas loucas, aquelas que são loucas pra viver, loucas para falar, loucas para serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, que nunca bocejam ou dizem uma coisa corriqueira, mas queimam, queimam, queimam, como fabulosas velas amarelas romanas explodindo como aranhas através das estrelas."
"Andei pensando muito antes de escrever isso, mas vou deixar bem claro, esse pensamento é meu e eu respeito sua crença, sua religião, ou seja lá no que você acredite. Sempre que me perguntavam, afinal, no que você pensa que acontece com as pessoas quando elas morrem? E eu sempre buscava respostas filosóficas sobre tempo, espaço e universo pra responder essa questão, mas cheguei à conclusão de que a vida é apenas um teste pra verdadeira vida. Sempre achei vaga e superficial a ideia de purgatório e paraíso, afinal, o mundo já é um grande inferno desigual pra sermos considerados culpados por atitudes tomadas no meio de tanto caos. O mundo é uma quarentena que mede quantos socos aguentamos tomar e ficar de pé, quantas lágrimas derrubamos e escondemos pra transparecer a ideia de humano intocável, quantos amores perdemos, e quantos sentidos se vão com alguém que não quis ficar, em quantos pedaços ficamos e continuamos procurando os cacos cortantes de nós mesmos, torcendo pra que eles ainda se encaixem e preencham as nossas lacunas interiores que nos tornam cada vez mais humanos vazios, mas eles nunca preenchem, e muito menos se encaixam. O que acontece quando as pessoas morrem? Talvez elas vivam."
"Queria ter te conhecido antes, muito antes, para que nenhum de nós dois tivesse medos ou cicatrizes. Queria ter estado com você quando seu coração descobriu o que era amor, quando seu corpo descobriu o que era desejo, e antes que pudesse sofrer eu estaria do seu lado te amando e me entregando, e juntos poder ter aprendido as lições da vida e do coração. Queria ter te conhecido quando suas esperanças começaram a nascer, quando seus sonhos ainda eram puros e seus ideais ainda ingênuos. Pena termos nos encontrado só agora, já com o coração viciado em outros amores, com uma imagem meio falsa do que é felicidade, do que é se entregar. Queria ter te encontrado numa nova vida, num outro tempo, em que não precisássemos temer o nosso futuro, nem nossos sentimentos."
"Acho que me apaixonar por ele seria como mergulhar em um precipício. E ou seria a melhor coisa que me aconteceria, ou o erro mais idiota que eu cometeria. Faria com que minha vida valesse a pena ou com que eu me chocasse contra as pedras e me arrebentasse completamente. Talvez a coisa mais sábia a fazer fosse desacelerar as coisas. Ser amigos parecia tão mais simples."
— Kelsey Hayes, A maldição do Tigre (via almalizei)
"Naquela noite eu chorei, e me senti horrível por isso. Eu tinha chegado ao meu limite, e me olhando no espelho não consegui mais reconhecer a garota forte que eu sempre fui. Só consegui enxergar um fracasso em forma humana. Eu tinha falhado, e não iria me perdoar por isso. Desabar foi a coisa mais insignificante que eu fiz na vida, era como se eu tivesse perdido o meu diferencial. Agora eu era pequena, frágil e fraca. Eu tinha me transformado em algo que desprezei a vida inteira. A ideia de ter as fraquezas das demais pessoas me assombrava, o simples devaneio da minha alma carente, precisando que alguém me confortasse me encheu de medo. Era horrível ser tão vulnerável assim, perder as rédeas dos próprios sentimentos, e ter que confiar seus segredos à outro alguém. Não me vejo trocando confidências com outra pessoa, pedindo consolo ou um ombro para chorar. Mas, neste momento, por ter me tornado tão sensível assim, era tudo que eu queria fazer."